Sempre considerei a criatividade um exercício do olhar. Como não dá para separar, costumo pensar que é uma coisa de olhar-fazer. Olhar não é uma postura passiva. A gente sabe bem que, durante uma pesquisa de referência, nossa cabeça fica borbulhando e, se fosse um HD, até esquentaria. Olhar é interpretar, visar, atribuir significado numa velocidade tão rápida que nem é possível separar o olhar do significar. Se olhar o mundão de meu Deus é significar as coisas o tempo todo, não dá nem para sonhar em trabalhar com criatividade sem virar um maníaco do olhar.

Virar empreendedor é um passo grande. Dá muito medo. Você gosta de trabalhar, se esforça para fazer direito, mas, simplesmente, pode ser que não role. Então, o esforço é grande e as urgências muitas. Vida, trabalho, cadê o limite? É uma linha muito magrinha, pontilhada mesmo. Nos tantos “tenho que fazer”, você ainda tem que encaixar o exercício do olhar, como se fosse a musculação matinal. Como todo mundo sabe, fazer a academia concordar com a vida é, muitas vezes, mais difícil do que cantar e assoviar ao mesmo tempo. Principalmente para mim, que não sei (mesmo) fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Para olhar direito, preciso de foco!

Ahhhhhhhh (desespero!)

desespero

Como é que faz? Nunca confiei muito nessas listas de “como se manter criativo”. Mas percebi que essas dicas são, na verdade, pequenos mantras. Difícil de fazer, mas importante de lembrar. Como existem 356 listas para serem “googladas”, vou só contar o que tento fazer para me manter “olhante” diante da adversidade (e delícia) de ser um pequeno empreendedor:

Sim, é mais uma lista! 

precuiça_lista

Mas, ela tem 4 (quatro!) coisas pô.

1. O olhar humilde: olhar é bom e é melhor ainda ver trabalhos muito fodas. Tem gente boa “padaná”  no mundo e é nessas pessoas que você deve se inspirar. Ter generosidade para olhar o trabalho dos outros também é algo importante. Percebo que, no nosso meio, o senso crítico, às vezes, se confunde com RECALQUE.

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2. A hora sagrada: faça chuva ou faça sol, reservo uma hora do meu dia para bisbilhotar coisas nas páginas especializadas. De verdade: fico sem tomar banho mas não fico sem a pesquisa diária de referências (brinks, migs!). Um detalhe é que, como essa busca é sempre por interesse querendo ou não, tento me forçar a ver coisas que não são meu objeto de trabalho direto (moda, decoração, tecnologia, etc). Mal não faz, né?

hora_sagrada

3. O mar de coisas: organizar referências é muiiiiito difícil. Quase morro neste esforço. O que tem me ajudado bastante são os sistemas de agrupamento de páginas e favoritos. Uso o Feedly e recomendo fortemente. Facilita o olhar que é uma beleza.

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4. Tenha ânimo jovem: depois de um dia de trabalho heróico e das demandas entregues, você está feliz, é claro. Mas dentro de você há uma voz enlouquecida pedindo cama (esta voz fica pior com a idade, já descobri!). É difícil dizer não, mas é importante tentar sair, ver coisas e pessoas. Estar em contato é fundamental para olhar as coisas sempre de um jeito novo. Um exemplo real é a minha recente paixão por viagens. Eu não era assim, tããããão adepto de viagens, mas por culpa da Débora (minha sócia e aficcionada por promoções aéreas) acabei descobrindo que essa parada é fundamental para deixar as vistas menos tediosas. Ver as mesmas coisas o tempo todo cansa – e não importa quão belas elas sejam.

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Fico feliz em poder contar da experiência de ser um pequeno empreendedor e o desafio que é se manter criativo com tantas contas para pagar. Reiterando o convite já feito em outras ocasiões, a casa tá aberta e tem sempre um café (buscamos da Praça 7) e um bom papo.

#movimentocompredopequeno

 

Abração,

Ronei Sampaio, sócio da Amí Comunicação & Design